Cerca de 120 km separam Tui de Santiago, um percurso que
dividimos em seis etapas e com o qual o peregrino poderá obter a Compostela, o documento que prova que realizou a peregrinação. O rio Louro será o
nosso companheiro de caminhada nesta etapa que liga Tui a O Porriño e
que percorre sendas acessíveis e rodeadas de vegetação abundante e um ou outro
troço de estrada.
Antigamente os
peregrinos vindos de Portugal acediam à cidade de Tui cruzando o rio Minho em
barco. No entanto, em 1884 foi construída a Ponte Internacional entre Valença
(Portugal) e Tui (Espanha), que abriu uma passagem pedonal que centenas de
peregrinos atravessam todos os dias desde então.
A Ponte
Internacional sobre o rio Minho é o ponto de partida do nosso Caminho Português
até Santiago. Daqui dirigimo-nos ao porto tudense de Lavacuncas, donde
antigamente desembarcavam os peregrinos, situado nas traseiras da atual pousada
de turismo.
Do velho porto, o itinerário
dirige-se para o centro antigo onde poderemos admirar a Catedral de Santa Maria de Tui, o expoente artístico da
cidade. Começou a ser construída no ano 1120, embora só tivesse sido consagrada
em 1225, na época do rei Alfonso IX. A Catedral de Tui chama a atenção pelo seu
aspeto de fortificação, especialmente pelas torres almenadas, tendo sido
fundamental dada a importância estratégica de Tui como cruzamento e confluência
de caminhos.
Na própria Catedral podemos
adquirir a Credencial de Peregrino e obter o primeiro carimbo para a nossa
Compostela (A Catedral de Tui abre as portas às 10h00, pelo que se não
tiveres a Credencial, é recomendável levantá-la no dia anterior ao início do
Caminho. A Catedral está aberta diariamente até às 20h00).
Se, para além da
Credencial, quisermos uma recordação especial do nosso Caminho Português,
podemos visitar o balcão da Correos de Tui (Rúa Martínez Padín, 12) e obter um Cartão do Caminho Português, um postal
que marca o itinerário jubilar com as etapas e os carimbos correspondentes e os
elementos distintivos das localidades de início e fim de etapa. Deste modo, os
nossos colegas colocarão um carimbo postal especial da Rota Portuguesa sobre
cada uma das etapas realizadas.
O centro histórico
de Tui é o cenário dos passos seguintes do nosso Caminho Português. A
sinalização é ótima, pelo que só é preciso descobrir e seguir as muitas setas
amarelas estampadas nas paredes da cidade. Deixando para trás a Catedral, passamos diante do Município de Tui e
rumamos ao Convento das Clarissas (século XV).
Após uma curiosa rua com
abóbada, descemos até à rua Tide, onde se encontrava uma das portas da antiga
muralha medieval. No fim da rua viramos à esquerda e começamos a caminhar pela
Antero Rubín onde se encontra o Convento
de São Domingo, interessante para o peregrino por alojar um pequeno Centro de
Interpretação do Caminho Português para Santiago e no qual podemos
conhecer, mediante diversos painéis informativos em vários idiomas, a relação
estreita de Tui com a Rota Jubilar.
Saímos do centro histórico de Tui pela rua Bartolomeu, onde, para além do coreto e de um cruzeiro tradicional, poderemos
admirar a Igreja de São Bartolomeu de Rebordáns, do século VI.
Daqui seguiremos
o itinerário da antiga Via Romana XIX,
que ligava Braga a Astorga, passando por Lugo. Deixamos a igreja à esquerda
para aceder a um caminho que passa ao lado de um lavadouro e de um parque de
merendas. Depois de andarmos uns metros entre pequenas quintas de cultivo e de
produção de kiwis, chegamos a um caminho asfaltado e à Ponte da Veiga sobre o
rio Louro, de origem medieval. Aqui encontraremos uma escultura de um
peregrino, junto à qual muitos caminhantes aproveitam para tirar uma
fotografia.
Continuamos o nosso
percurso por um caminho de terra agradável para encontrar mais adiante a um
troço de estrada que vai até à N-550,
que liga Tui a A Corunha. Cruzamos a estrada para entrar em Virxe do Camiño,
onde o peregrino pode descansar na contemplação da pequena capela que abriga a
imagem da Virgem do Leite, protetora das crianças e os peregrinos.
Daqui
começamos um troço pela berma direita da estrada PO-342 (uns 2 km), para depois
passarmos sobre a Autovia do Atlântico e, pouco mais de 1 km depois, sob a
AP-9. No marco que assinala o quilómetro 109 viramos à direita e voltamos a
entrar numa zona de floresta em plenas Gándaras de Budiño, um ecossistema
protegido pela sua riqueza em flora e fauna. Cruzaremos o ribeiro San Simón
pela Ponte das Febres, um lugar mágico, ideal para descansar e repor forças. Na
época de grande afluência de peregrinos, poderemos encontrar uma banca para
comprar bebida e comida.
Abrigados pela
sombra e acompanhados por uma frondosa vegetação ribeirinha, chegaremos à aldeia de A Magdalena, na qual encontramos
um café e um par de estabelecimentos que servem bebida e comida na época alta.
Depois de passarmos por diante da igreja, saímos da paróquia de Ribadelouro,
atravessando uma estrada depois de uma casa na qual instalaram umas máquinas de
vending. No nosso caminho veremos um calvário formado por cinco
cruzeiros e depois seguimos mais uma vez o curso do rio Louro por um itinerário
plano e frondoso.
Chegamos agora a Orbenlle,
pertencente à paróquia de San Salvador de Budiño, integrada no Município de O
Porriño. O lugar é inconfundível, pois
aqui o artista Xai Oscar suspendeu dois quadros hiperrealistas, um do
Pórtico da Gloria (2015) e outro de 2 m de altura em que aparece o rosto de um
peregrino experiente (2017).
Precisamente
aqui, a 150 m, o peregrino deve escolher por que troço do Caminho Português
entrará em O Porriño: pelo que atravessa o polígono industrial e a N-550 ou por
um desvio que segue o curso do rio Louro, 580 m mais longo que o Caminho
“oficial”, mas bem mais agradável.
Esta alternativa, recuperada
pela Associação Galega dos Amigos do Caminho de Santiago, começa uns 300 m
depois do ponto quilométrico 106.048 para Santiago. Em vez de continuarmos a
direito, devemos ir por uma entrada do lado esquerdo.
O rio Louro volta a acompanhar-nos no nosso percurso manchado por
vegetação abundante e por elementos típicos do património galego como as
alpondras. O itinerário atravessa a
paróquia de San Xurxo de Mosende para depois cruzar uma alpondra conhecida como
a “passagem de Botate” que termina num caminho de terra. Um trilho local
abre-se diante de nós para nos levar à paróquia de Santiago de Pontellas, onde
poderemos apreciar elementos tradicionais importantes como uma ‘cruz de mortos’
ou um cruzeiro.
Uma estrada local com faixa pedonal e para ciclistas conduz-nos
ao caminho que segue o curso do rio
Louro até ao Albergue de Peregrinos de O Porriño. A 300 m encontram-se
vários albergues privados de peregrinos, bem como vários serviços:
restaurantes, supermercados, lavandarias, etc.
Caso tenhamos
escolhido o itinerário pelo polígono
industrial de As Gándaras, teremos de atravessar a enorme reta desta zona industrial, de quase 3 km. Depois de
passarmos a linha do comboio, o Caminho deixa-nos na N-550, onde começa uma nova reta interminável. Entramos em O
Porriño pela rua Manuel Rodríguez para nos dirigirmos à ermida de São Sebastião
e à capela de São Bento. Uns metros mais adiante divisaremos a igreja de Santa
Maria e chegaremos à rua Ramón González, na qual se encontram os Paços do concelho.
Daqui só será necessário atravessar as linhas do comboio e continuar a direito
até chegarmos ao rio, onde se encontra o Albergue de Peregrinos.
O mais destacável desta aldeia pontevedrina são as obras
arquitetónicas de Antonio Palacio, arquiteto natural de O Porriño, nascido nos princípios do século XX e autor de obras tão destacadas em
Espanha como o Edifício Telefónica de Madrid.
A sua obra mais importante em O
Porriño é o edifício do Ayuntamiento, de estética muito similar a um
castelo, a Fonte de Cristo ou um coreto que foi entrada do metro de Madrid. A
rua principal, a Ramón González, é pedonal e nela encontraremos as
características arcadas galegas. Nesta zona há numerosos bares e restaurantes
nos quais repor as forças e descansar antes de retomar o Caminho a Santiago.
Como chegar a Tui
De Vigo podemos apanhar um autocarro para Tui na empresa ATSA (+0034) 986 610 255, com várias frequências diárias. Há outras ligações para Tui desde Pontevedra com a Monbus, desde O Porriño com a Empresa Ojea e com a Alsa desde A Guarda.
Podemos viajar de Madrid (com comboios que passam por localidades como Segóvia, Medina del Campo, Zamora, Ávila, Valladolid, Palencia, León, Astorga, Ponferrada ou Ourense), de Barcelona (passando por Tarragona, Lleida, Saragoça, Logroño, Burgos, Palencia, León, Astorga, Ponferrada ou Ourense), de Alicante e de Bilbau. Toda a informação na Renfe e através do telefone (+0034) 902 320 320.
Existe igualmente um comboio Vigo-Porto, que também para na estação tudense, sendo possível consultar os horários para as duas cidades.
Conselhos do carteiro
O que ver e fazer em Tui
“Há muitas coisas para ver em Tui, o seu património monumental é espetacular. Antes de começar o Caminho de Santiago, é mais que recomendável dar uma volta por esta localidade histórica, que foi uma das sete províncias do antigo Reino da Galiza, e descobrir algumas das suas joias, como a Catedral ou o Museu e Arquivo Diocesano, que era um antigo hospital de peregrinos.
Se tivermos tempo, uma boa visita para fazer em Tui está a uns 4 km. Trata-se do Monte Aloia, um parque natural com umas vistas espetaculares de Portugal, das pontes sobre o rio Minho e de Tui.
Além da subida ao cimo do monte Aloia, outro conselho para usufruir de Tui é percorrer o seu passeio fluvial. Há zonas de descanso, muita tranquilidade e também esplanadas para beber algo antes de seguirmos o Caminho Português.”
O que ver e fazer em O Porriño
"O Porriño conta com uma zona pedonal na qual dar um passeio e contemplar o bonito edifício dos Paços do concelho. Trata-se de uma construção muito curiosa, nos anos 20 e obra do famoso arquiteto Antonio Palacios.
Este arquiteto nasceu em O Porriño e encarregou-se de projetos tão famosos como o Palácio das Comunicações de Madrid ou a Casa Matesanz, o primeiro edifício da Gran Via madrilena.
Uma escapadela recomendável em O Porriño é a visita às lagunas das Gándaras, na paróquia de Budiño. Esta zona pantanosa, criada pelo rio Louro, conta com muita vegetação aquática e é uma zona de criação para as aves migratórias.
Há um observatório com um centro de interpretação para o avistamento destas aves. Também há percursos pedestres pelo lugar, com os quais é possível descobrir os restos de assentamentos paleolíticos.”